ARTESANATO DE LUXO por: Marcio Akamine

O artesanato nunca fui tão explorado e valorizado na moda global como agora.

Grandes marcas tradicionais vem colocando em suas coleções itens com pegada totalmente artesanal, alias ...... muito valorizadas entre os "gringos" e pouco por nós brasileiros acostumados a verem itens como a sandália de couro, ou cinto de macramê e a bolsinha de crochê e por ai vai .... nossa cultura do feito a mão é tão ampla e rica que a lista ficaria grande.



A PRADA fez em sua coleção uma linda sandália de couro feita a mão ..... porem isso causou um certo alvoroço entre alguns Brasileiros fashionistas "desinformados culturalmente" pontuando que além de ser um item de luxo absurdamente caro em uma "sandalinha de couro " muito parecida que achamos nas feirinhas de artesanato no Brasil a fora, e acusando a PRADA de apropriação cultural ........ vamos dar risada ( HAHAHAHAHAHAHA ) gente....... sandálias de couro feitas a mão já existiam antes de Cristo então ..... MENOS ..... além de um item de luxo passar por um rigoroso processo de desenvolvimento de produto e feitos por talentosos ARTESÕES de alto nível de capacitação profissional, precisamos refletir que o FEITO A MÃO, SIMMMMM precisa ser mais valorizado por nós culturalmente falando.


sandálias PRADA


A estilista brasileira Martha Medeiros, visionária percebeu o poder do artesanato brasileiro sendo mais preciso na denominação do artigo, a delicada e sofisticada renda renascença, levando este produto feito tipicamente na região do nordeste pelas rendeiras a um patamar de alto luxo na moda nacional, vestidos exuberantes feitos totalmente a mão pois a renda é feita em partes e a criação de uma peça se torna praticamente única e exclusiva ..... isso é uma prova que o artesanato brasileiro aliado ao conceito feito a mão e exclusivo pode ser valorizado como bem de luxo,....... não estou querendo colocar que o artesanato deve ser absurdamente caro, mas sim valorizado culturalmente.


MARTHA MEDEIROS para VOGUE BRASIL


Muitas marcas de luxo construíram o conceito do seu branding totalmente a partir do artesanal, um bom exemplo disso é a marca italiana BOTTEGA VENETA, conhecida pelo seu tressé nas desejadas bolsas e acessórios, são totalmente feitas a mão uma a uma, um trabalho precioso e sofisticado que vem evoluindo se tornando moderno mas sem perder o DNA original da marca.




Artesão Fazendo o TRESSÉ



Bolsa TRESSÉ BOTTEGA VENETA

E como estamos em plena temporada de semana de moda do hemisfério norte, Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da tradicional DIOR, se inspirou no artesanato.




Dior primavera/ verão 2021

Apresentando sua coleção de Primavera/Verão 2021, Maria Grazia Chiuri não deixa para trás sua essência elegante combinada com técnicas inovadoras. Voltando aos fundamentos da Alta Costura de cortar e montar, para a temporada mais quente do ano a diretora criativa combina duas preciosas técnicas - ikat e chiné indonésios, que foram desenvolvidos na Europa no século 16 - que consistem em colorir os fios de urdidura antes mesmo de tecer.




Criados originalmente na Ásia, esses emblemáticos tecidos ancestrais deram vida a inúmeras variações e reinvenções que compartilham uma origem comum. Um dos materiais favoritos de Chiuri por seu espírito gráfico e de Alta Costura, o chiné aprimorado casaco de 1959 - evocando a coleção Trapeze criada para a Dior pelo sucessor do costureiro fundador, Yves Saint Laurent. Hoje, seus delicados fios de seda constelam casacos e jaquetas reversíveis, reinterpretando símbolos da Maison como paisley e a assinatura toile de Jouy.




A habilidade de tecer com as mãos e a construção de tramas na palha, crochê ou tear manual são processos bem explorados pelo mercado de luxo em marcas como DOLCE & GABANNA, CHANEL, PRADA, JACQUEMUS, TOMMY HILFIGER vem apostando muito neste conceito e tem sido um sucesso absoluto.










Bolsa de palha CHANEL



Sandália de crochê DOLCE & GABBANA



Conjunto de crochê DOLCE & GABBANA

Vestido de crochê TOMMY HILFIGER



Concluindo que o artesanato esta totalmente ligado a moda de uma forma geral, a cultura do feito a mão no Brasil não é valorizada devido as questões sócio econômicas, pois a estigma de quem faz artesanato, produz um produto feito por ele mesmo manualmente para sobreviver, isso coloca o indivíduo em um nível social não favorecido de status e até mesmo quem consome artesanato não tem tal status social pois é um produto barato ....... é um triste julgamento, mas....... se analisarmos bem, o artesão que trabalha nas grandes casas centenárias como a LESAGE, LEMARIÉ entre outras em Paris, embora tenha todo um preparo para atender o mercado de luxo no seu oficio, o artesão que vende seu produto na lojinha ou na barraca da rua tem seu mesmo valor no seu oficio.






Ateliê LAMARIÉ


São propósitos diferentes...... um artesão em Paris é reconhecido pela tradição histórica e cultura, o artesão no Brasil é reconhecido pela sobrevivência e cultura ..... para refletir .....


Essa é mais uma de nosso Super "Djapa" Marcio Akamine


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